Ato do Comitê Carlos de Ré Por Verdade e Justiça

ATO DO COMITÊ CARLOS DE RÉ POR VERDADE E JUSTIÇA

O Comitê Carlos de Ré convoca toda a militância que atua em defesa dos Direitos Humanos para mais um ato público de identificação de espaços de tortura e resistência na cidade de Porto Alegre.

Na quarta-feira, dia 27/06, às 12h, faremos a identificação pública do Palácio da Polícia (esquina da Ipiranga com a João Pessoa), que durante muitos anos da ditadura civil-militar brasileira serviu como aparelho da repressão do Estado.

Este é o segundo ato de identificação protagonizado pelo Comitê Carlos de Ré. O primeiro ato – que foi também primeiro e único no país – remontou a história do antigo “Casarão da Rua Santo Antônio”, onde funcionava o Dopinha, um aparelho criado à margem da estrutura oficial do Estado, que recebeu inúmeros presos políticos em seus porões e abrigou um órgão de inteligência do regime.

Nossos atos, para além da identificação espacial e do resgate de memória, têm o objetivo de ressignificar os espaços e disputar os rumos da nossa narrativa histórica. Entendemos que a (des)memória, que garante a perpetração de violências e autoritarismos institucionais, se vincula à permanência de espaços não identificados e/ou tendentes a homenagear agentes da repressão.

Muitas são as referências simbólicas espalhadas por nossa cidade no sentido de exaltar ditadores, divorciando suas imagens da repressão que protagonizaram em nosso passado recente. Gerações que não viveram diretamente as atrocidades do período tiveram – e continuam tendo – suas rotinas marcadas pelas inúmeras vezes que cruzaram maquinalmente por estas ruas, escolas e praças, privados de análises mais acuradas sobre a história do nosso país.

A importância dos nossos atos também está, pois, na abertura de um diálogo intergeracional sobre as medidas necessárias para radicalizar nossa democracia, no sentido de superar todas as mazelas herdadas dos anos chumbo, uma herança que se alimenta da desmemória e consequente inércia social. Uma herança que se manifesta em uma polícia militarizada que atua a favor da criminalização dos movimentos sociais e violenta especialmente a juventude da periferia e o povo pobre já marginalizado pelo sistema.

Por isso estamos encaminhando esta ampla convocatória. Para que possamos continuar reunindo em nossos atos e no cotidiano do nosso comitê o maior e mais plural número de pessoas dispostas a construir coletivamente nossa luta urgente em defesa da democracia, por Memória, Verdade e Justiça!