Resposta à coluna Página 10 desta terça-feira (4/9)

A Página 10 de Zero Hora supera-se, diariamente, em subjetividade e parcialidade de seus comentários. Hoje, 4/9, aponta como “desastrada” a posição do PT em Caxias do Sul e Porto Alegre por não ter feito aliança com o PC do B e, segundo “antigos aliados” (as eternas “fontes” não identificadas), o PT “é incapaz de retribuir o apoio que recebe”.

A tese não se sustenta, pois podemos dizer o mesmo em dezenas de municípios onde não recebemos o apoio de aliados apesar de evidentes relações de força ou de pesquisas realizadas nos municípios.

A questão principal é que vivemos num sistema eleitoral de dois turnos e isso pressupõe o desejo da sociedade e dos partidos de apresentarem-se com seus programas e candidatos no maior número possível, afinal, essa é a razão de ser de um partido político. Apresentar-se por inteiro e utilizar o direito às coalizões no primeiro ou no segundo turno de acordo com suas decisões internas, democraticamente construídas.

Somos um partido que se orgulha da disputa permanentemente a hegemonia política pois essa é a essência e a razão da existência partidária. Isso é primário na teoria e na prática política.

De acordo com a avaliação e análise dos filiados em cada município, das relações de força, das relações com o Estado e o governo federal definimos uma tática eleitoral que foi seguida em todo o Estado. Disso resultou a apresentação de quase 200 candidaturas a prefeito em chapas próprias e com aliados. Em mais de 150 municípios temos a indicação de vice-prefeitos em coligações em que estamos apoiando chapas majoritárias de outros partidos.

Portanto, em que se sustenta a tese da “estratégia desastrada”? Em que se sustenta a tese de “não retribuição de apoio”? Em nada, puro subjetivismo e busca de crítica preconceituosa e dirigida para criar uma imagem negativa ao PT.

Por sinal, acima da “estratégia desastrada” está a foto com destaque da “força do Sartori” em Caxias do Sul. Sem nenhum comentário de que Simon e Rigotto discordaram da “tática”, não estão na campanha e para o PMDB entregar um “governo tão bem avaliado” para outro partido não se constitui em nenhuma “tática desastrada”. Uma bela forma de construir um partido e hegemonia. Mas aí não interessa nem cabe nenhuma avaliação objetiva. O que importa é criticar o PT apesar da insustentabilidade da tese.

 

Raul Pont
Deputado estadual e presidente do PT/RS