Milhares marcham a favor do Estado Palestino em Porto Alegre

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Ativistas defendem criação do Estado palestino

Milhares de pessoas marcharam a favor da criação de um Estado Palestino na tarde desta quinta-feira (29), em Porto Alegre. Reunidos em torno do Fórum Social Mundial Palestina Livre, cidadãos e ativistas de 36 países lotaram as ruas do Centro da Capital gaúcha para manifestar apoio ao povo palestino e repúdio às ações de Israel.

A marcha teve início às 17h, pelo horário de Brasília. Menos de três horas depois, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, discursava na Assembleia Geral da ONU, pedindo a aprovação do reconhecimento da Palestina como um Estado observador não-membro das Nações Unidas. A moção acabou sendo aprovada perto das 20h, quando os manifestantes em Porto Alegre já estavam concentrados na Usina do Gasômetro, onde ocorre o show de abertura do fórum.

O caráter da marcha lembrou bastante as tradicionais caminhadas que sempre ocorreram em outras edições do Fórum Social Mundial realizadas em Porto Alegre. Os manifestantes partiram do Largo Glênio Peres e subiram a avenida Borges de Medeiros até a Usina do Gasômetro.

Dois caminhões de som estavam posicionados no início e no final do cortejo, com pronunciamentos de lideranças nacionais e internacionais. Na linha de frente da marcha, era perceptível o predomínio de bandeiras e balões de entidades sindicais como a CUT, a CTB e a CSP-Conlutas. Paralelamente ao ato do Fórum Palestina Livre, ocorria também a Marcha dos Sem – caminhada de diversas organizações sindicais realizada anualmente em Porto Alegre.

Misturados em meio a bandeiras de partidos políticos – PSOL, PT, PSTU, PCdoB e PSB –, centenas de estrangeiros portavam cartazes de protesto com a assinatura de diversas organizações sociais. E inúmeras mulheres árabes, com os cabelos cobertos pelo véu, empunhavam cartazes com os dizeres: “Embargo a Israel já!” e “Boicote ao Apartheid israelense”.

Os pronunciamentos nos caminhões de som, feitos em diferentes línguas, pediam uma “free free Palestine” e bradavam que “the people united will never be divided”. Dentre todas as organizações que discursaram, apenas uma pediu o fim do Estado de Israel. O representante do Movimento Revolucionário – grupo que se criou a partir de 2007, após a expulsão de alguns quadros do PSTU – disse que “não há paz no mundo árabe com a existência de Israel”.

Diversos cartazes exigiam o fim das relações comerciais e diplomáticas do governo brasileiro com Israel, dentro de uma estratégia global conhecida como BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções. Essa linha de ação entende que Israel adota um regime idêntico ao que existiu na durante 46 anos na África do Sul com o Apartheid, ao restringir a circulação de cidadãos palestinos em seu território e impor barreiras ao trabalho desse povo. Como, especialmente nos últimos anos do Apartheid, a África do Sul sofreu boicote e sanção de diversos países, os ativistas pró-Palestina exigem, agora, a mesma postura em relação a Israel. Uma faixa da marcha condenava a compra de armas israelenses por parte do governo brasileiro.

Coordenadora do Comitê das Mulheres Palestinas na organização do Fórum Palestina Livre, a cidadã palestina Fallastine Dwiteat estava na marcha de abertura do evento, em Porto Alegre, e defendeu a adoção do boicote pelo governo brasileiro. “Quero agradecer ao povo brasileiro por receber esse grande evento, apesar da pressão feita pelo lobby israelense. Esperamos que o governo do Brasil promova um grande boicote cultural, acadêmico, militar e econômico a Israel, pois é um Estado que adota um regime de Apartheid. Acreditamos que o Brasil pode ser um dos líderes mundiais desse boicote”, disse, em conversa com o Sul21.

A reportagem também ouviu a ativista do movimento Queers for BDS (Gays pelo Boicote), Selma Al-Aswad. Filha de palestinos, ela migrou com a família para os Estados Unidos quando ainda era criança e hoje vive na cidade de Seattle e é uma cidadã norte-americana.

Os ativistas do Queers for BDS protestam contra uma política israelense que chamam de Pink Washing, que consiste em utilizar a concessão de direitos a homossexuais como um fator para tornar o país bem visto na comunidade internacional e desviar o foco das ações contra a Palestina. “Não aceitamos que usem nossos direitos para esconder crimes de guerra, marginalizar e oprimir o povo palestino”, disse Selma.

As entidades organizadoras do fórum divergem quanto ao número de presentes na caminhada. Para a Marcha Mundial das Mulheres, em torno de 10 mil a 15 mil pessoas fizeram o percursso. Para a CUT, cerca de 8 mil pessoas estavam presentes. A EPTC diz que foram 10 mil pessoas no trajeto.

Por Sul21.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21