Presidente PT/RS participa de audiência da Comissão da Verdade

Com a participação do governador Tarso Genro e da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, a Comissão Nacional da Verdade realizou, nesta segunda-feira (18), audiência pública em Porto Alegre. Foram colhidos depoimentos de ex-presos políticos e familiares, que relataram as violências e o processo de repressão que prendeu e matou milhares de opositores da ditadura militar (1964-1985).

Entre os depoentes estavam os filhos do ex-presidente João Goulart, Denize e João Vicente Goulart, o ex-governador Olívio Dutra, o ex-deputado Carlos Paixão Araújo, o deputado estadual Raul Pont, Suzana Lisboa, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, a ex-presa política Ignez Maria Raminge (a “Martinha”).

Militante estudantil, sindical e integrante de organização clandestina, o ex-preso político, hoje presidente estadual do PT e deputado Raul Pont afirmou que, além do trabalho de recuperar a verdade sobre os fatos ocorridos durante a ditadura, a Comissão é importante por fazer com que esse debate se repita e se renove.

Carlos Araújo e Pont lembraram que o golpe de 1964 não foi só militar. “Foi civil e militar. Teve o apoio e sustentação nos meios de comunicação e de instituições civis”. Ele destacou que a opressão e a intolerância fazem parte da história do país, ao longo de cinco séculos. “Há pouca vida democrática no país”, acentuou.

Ao relembrar que tem dedicado 50 anos de sua vida continuadamente à luta democrática, disse que “as conquistas que precisamos fazer continuam vivas: precisamos construir uma democracia efetiva. A intolerância, o preconceito, o autoritarismo são coisas que temos que banir de nossa história”.

Por Paulo de Tarso Riccordi.