NOTA DA JPT: A expulsão do partido e militantes do Bloco de Lutas

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NOTA OFICIAL DA JUVENTUDE DO PT

SOBRE EXPULSÃO DO PT E SEUS MILITANTES DO BLOCO DE LUTAS PELO TRANSPORTE PÚBLICO

Dia 17/09, participamos da nossa última “Assembleia do Bloco de Lutas pelo Transporte Público”, uma organização criada no início de cada ano para tentar barrar o aumento das passagens de ônibus, da qual a militância do Partido dos Trabalhadores sempre participou. No entanto, este ano o processo foi diferente. Fortes mobilizações se avolumaram no final de 2012, formando protestos com unidade real, que criaram um novo cenário para as discussões e organização do Bloco. Convém salientar que os rodoviários Cutistas, foram os percursores e propulsores deste crescente movimento, articulado inclusive lutas em outros municípios e estados, iniciamos ainda no ano passado (Dezembro) encontros sistemáticos com o bloco, em espaços como: – Utopia e Luta, SIMPA, entre outros espaços.

Quando surgiram as jornadas de Junho, em Porto Alegre já estávamos nas ruas há mais tempo e tínhamos conquistado vitórias, barrando o aumento da passagem e dando projeção à luta a partir de uma unidade de ação, com a participação efetiva de militantes da JPT e rodoviários petistas.

As mobilizações mostraram a efervescência de uma juventude que quer participar da política, mas que não se sente representada pelas estruturas tradicionais de poder. Neste período de avanços, o Bloco de Lutas tinha como princípio, e na sua essência, um espaço de unidade de ação, uma estrutura aberta, democrática, participativa e horizontal, com a qual aprendemos muito.

Ao mesmo tempo outros movimentos sociais também se reanimaram a sair às ruas e assim foram organizadas as paralisações nacionais das centrais sindicais dos dias 11 de julho e 30 de agosto. A Juventude do PT, pela relação histórica com a CUT, também obteve tarefas nessas mobilizações, quando estivemos nas garagens de ônibus junto com a oposição dos rodoviários, fortalecendo a luta da classe trabalhadora.

A JPT sempre esteve na construção do Bloco de várias formas, através da militância em espaços como sindicatos, movimentos sociais etc. Na luta pelo transporte 100% público, articulamos forças e construímos unidade de ação para pressionar todos os governos, inclusive os nossos, e fazer com que os ricos pagassem a conta. A Bancada de Vereadores e o PT, fomentados pela sua Juventude, realizaram nesse período inúmeros debates, tendo como resultado um projeto de lei em tramitação, que prevê Transporte 100% Público.

Construímos a vitoriosa Ocupação da Câmara de Porto Alegre, dialogando com nossa ampla rede de apoiadores para o suporte necessário, desde alimentação, estrutura e assessoria jurídica do movimento, contando também com apoio político e estratégico de nossa bancada de vereadores na realização do diálogo. Participamos da construção dos projetos de lei do Bloco, mesmo avaliando que eram limitados comparados ao projeto da nossa Bancada de Vereadores e, pela valorização da construção coletiva, apoiamos!

Com independência e sem amarras, não medimos esforços para realizar assembleias e atos democráticos, plurais e combativos, disputando a consciência e adesão da sociedade para a pauta do transporte público e para a importância de ir às ruas construir uma democracia verdadeira e participativa.

Jamais nos furtamos de marchar em frente ao Palácio, onde construímos um grande ato e inclusive fizemos a relação com outros movimentos sociais que também tinham ato marcado para se somar e apoiar o Bloco. Tampouco fizemos falas individuais ou coletivas no sentido de “frear o ímpeto combativo” do movimento.

Estávamos na Praça da Matriz no dia da violenta agressão aos indígenas, totalmente descabida e injustificável. Emitimos nota pública condenando estas ações, reivindicando a desmilitarização da polícia e exigindo que o governo fizesse a opção política pela demarcação das terras dos povos tradicionais. Não foi a primeira vez que a Brigada Militar agiu com truculência e arbitrariedade. Desde o primeiro momento em que isso aconteceu pautamos o problema internamente no partido e publicamente, pelo dever de disputar os rumos dos nossos governos.

Ressaltamos que a cultura política do autoritarismo é incompatível com a democracia, que a instituição Brigada Militar age com autonomia tendo grande disputa com setores da direita, ao mesmo tempo não se pode atribuir a um único governo a responsabilidade pela postura de uma instituição militar nacionalmente organizada, que ainda comemora a “Revolução de 64” todo o dia 31 de março, também não podemos aceitar qualquer grau de conivência com tais posturas. Essa é uma luta permanente e orgulha-nos o enfrentamento feito no Governo Olívio Dutra aos excessos da BM, quando foram inseridos novos conceitos de policiamento cidadão, unificação das polícias e a alteração no Regimento Disciplinar da Brigada Militar, além do projeto de Lei que prevê o fim da Justiça Militar.

Ficou nítido o esvaziamento político do Bloco, abandonaram a pauta do transporte e do Passe Livre. Vínhamos propondo a retomada da pauta do Transporte 100% público, pois diante de tantos temas o Bloco foi instrumentalizado pelo oportunismo de forças políticas como PSOL e PSTU, simplesmente para criar o símbolo do anti-petismo internamente. Havia a proposta de um seminário para definição da plataforma política, temos dois projetos protocolados na Câmara, tem uma CPI que criminaliza o movimento, e cadê o Bloco? Há tempos estas forças esvaziaram os espaços de elaboração política. Antes de proporem a expulsão somente dos petistas, o Bloco tentou expulsar outros movimentos sociais como o MST e o Levante Popular da Juventude, usando como argumento a relação de diálogo que eles possuem com o governo, coisa que o próprio Bloco realizou. Não obstante as nossas contribuições, até então sempre bem-vindas, construídas, sem exceção, de forma democrática e horizontal, houve um argumento instransponível nas falas de expulsão mais indignadas.

Agora começa uma infeliz batalha de versões sobre o episódio da nossa expulsão. A “Nota Oficial do Bloco de Lutas sobre a Expulsão do PT” mente ao denunciar supostas “manobras internas” dos petistas que sempre construíram o movimento.

O pretexto para a expulsão dos petistas foi a utilização de uma imagem na qual aparecem integrantes do Bloco de Lutas durante uma reunião oficial com o governador Tarso Genro em um vídeo institucional do PT. Nunca foi discutida, porém, a utilização de imagens das mobilizações do Bloco de Lutas por outras forças políticas e partidos.

A “Nota Oficial do Bloco de Lutas sobre a Expulsão do PT” mente ao afirmar que não temos posturas críticas. Sobre o vídeo, a JPT propôs nessa mesma assembleia que, caso alguém se sentisse lesado, seria o caso de discutir uma nota pública de repúdio ao uso da imagem e, juridicamente, uma ação questionando sua utilização.

Fomos expulsos do Bloco por sermos radicalmente democráticos, já que enfrentamos a contradição de ser governo e cobrar do próprio governo maiores avanços. Fomos expulsos por aqueles que dizem que são libertários, mas usaram do autoritarismo para se sobrepor à política. Nos condenaram e nos expulsaram por sermos filiados e construtores do Partido dos Trabalhadores.

Em nada mudaram os motivos que nos fizeram construir a unidade de ação pelo transporte 100% público e pelo Passe Livre (pauta que o próprio Bloco esqueceu). Lembramos que, inclusive, foi aprovado o Passe Livre Estadual para estudantes gaúchos no mesmo dia em que resolveram nos expulsar.

Não aceitamos que o Bloco tenha se transformado, pela vontade de algumas personalidades mais sectárias, em espaço para julgamento de acertos e equívocos do PT. Não aceitamos a demonização do PT. Acreditamos que o Partido dos Trabalhadores ainda é a principal ferramenta da classe trabalhadora. Não perdemos a perspectiva da crítica, mas sabemos enxergar os avanços que tivemos nesses 10 anos de governo, e temos claro que as mobilizações de junho foram fruto desses avanços, pois entendemos que a população e os jovens querem mais.

Os Rodoviários Cutistas (RodoCUT), que sempre foram a favor da democratização do bloco e pelo verdadeiro apoio social assinamos conjuntamente este documento, pois nos inserimos dentro deste espaço com a finalidade de buscar o bem comum a toda a nação. Compreendemos que não existe luta de um soldado só se existem falhas é porque existe espaço para o crescimento.

A militância petista seguirá nas ruas, de onde nunca saiu, construindo espaços democráticos e ferramentas de articulação de lutas sociais e de unidade de ação verdadeira, sem hipocrisia e sectarismo. Criando espaços para aqueles que querem construir uma sociedade mais justa e igualitária, que lutam contra todas as formas de opressão, por uma sociedade socialista, feminista e democrática! Viva o PT, Viva a classe trabalhadora!

Juventude do Partido das/dos Trabalhadores

Rodoviários Cutistas / RodoCUT