Artigo: Juventude, feminismo e prática política – Por Íris de Carvalho*

As mulheres sempre estiveram presentes em todas as experiências de luta e resistência, embora, em grande parte da história às apresentem nos espaços domésticos e de cuidados. Para nós feministas, o mês de março é um momento de reafirmação da declaração do Dia Internacional das Mulheres, do feminismo enquanto teoria e prática da luta pela libertação das mulheres e da construção de uma outra sociedade, baseada na igualdade efetiva e global das relações sociais.

A grande parte das bandeiras de luta das feministas e do movimento de mulheres representam uma crítica profunda a cultura política baseada no preconceito, na dominação e na violência. Para além da luta pela igualdade de direitos, nossas reivindicações incorporaram o questionamento das raízes culturais da desigualdade. A esta cultura damos o nome de machismo que se evidencia através de valores sociais que depreciam as mulheres e sua capacidade de serem iguais aos homens.
É neste contexto de reivindicações e organização da luta das mulheres, que a incorporação do feminismo como elemento essencial na luta pela construção do socialismo, a compreensão do papel que a opressão das mulheres cumpre na dominação capitalista e a necessidade da luta pela libertação das mulheres devem fazer parte das tarefas da juventude e do programa do PT e estar presente, também, no dia-a-dia da nossa militância.

A Juventude do PT deve ser protagonista na inserção de uma política feminista permanente dentro do partido e em todas as nossas intervenções. A presença das mulheres na política está crescendo e tem de ser reforçada através do apoio às companheiras que estão se inserindo nos espaços de poder e decisão. É nossa tarefa empoderar as mulheres para que possamos superar o machismo que também se reproduz na política.
A eleição da Presidenta Dilma deu um novo estímulo à participação das mulheres na política, o que foi corroborado com a importante vitória no IV Congresso do PT em determinar estatutariamente a paridade de gênero na composição de suas direções, delegações, comissões e nos cargos com função específica de Secretaria. A conquista da paridade dentro do PT representa um grande avanço para as mulheres no mundo da política e nos coloca como precursoras de uma política correta e avançada em meio a uma realidade de poder machista, branca e elitista, afinal, a representação feminina no Congresso Nacional não chega a 10%.
Para que essa política acertada renda efetivamente os frutos da construção de uma sociedade livre da opressão machista é essencial que aprovemos urgentemente uma reforma política no país. O financiamento público de campanha e o voto em lista pré-ordenada com a presença paritária de mulheres tornou-se uma bandeira de quem luta pela igualdade de gênero na política e por uma divisão democrática dos mandatos eletivos conquistados por cada partido.

A Juventude do PT deve ser protagonista da luta por uma sociedade feminista e socialista, pois uma não existe sem a outra. O feminismo deve ser considerado também enquanto política transversal em todas as intervenções da Juventude do PT e, mais que isso, deve estar presente na prática de nossas vidas pessoais e militantes.

É por isso que a formação continuada sobre gênero torna-se necessária para que possamos de fato implantar na teoria e na prática o compromisso militante contra a opressão das mulheres. Desta forma, foi bastante significativa a aprovação, no IV Congresso do PT, da aplicação de, no mínimo, 5% do total do Fundo Partidário para o Programa de Participação Política das mulheres.
Nós jovens somos o presente, não o futuro. E cabe a nós fortalecermos nossa capacitação enquanto militantes sérios, qualificados e conscientes de suas lutas. Por isso, a concepção feminista deve estar sempre presente em nossos cursos de formação, para que possamos nivelar nosso entendimento acerca da opressão capitalista e de gênero em que vivemos.

*Secretária Estadual da JPT/RS e professora da rede estadual de educação.