Artigo: Resposta ao deputado Vieira da Cunha por Raul Pont

O deputado federal Vieira da Cunha, candidato do PDT ao governo do Estado, argumentou no programa Conexão RS, da Ulbra TV que não seguirá a orientação nacional de seu partido porque a presidenta Dilma e o PT estão indissociavelmente marcados pela corrupção. “Para mim seria um constrangimento intransponível”, disse o candidato. O PDT está no governo federal com Dilma desde o inicio do mandato, assim como esteve com Lula nos mandatos anteriores. Ao longo de uma década o deputado conviveu com isso, elegeu-se com essa identificação e aqui no RS, seu partido esteve no governo Tarso Genro ocupando secretarias e vários órgãos governamentais.
De quem é a incoerência, do Partido que continua no governo federal e já definiu apoio á reeleição da presidenta Dilma ou do personalista deputado Vieira da Cunha?
Sua arrogância individualista fica constrangida com a corrupção “indissociável” do PT e de Dilma Rousseff, mas não fica nem enrubescido em trazer para sua companhia o DEM (ex-PFL) e ter na chapa majoritária um arrivista que há décadas nega e difama a política, que nunca construiu um Diretório do PDT e que, na última hora, abandona seu papel de “voz do dono” na TV e já é alçado à candidatura ao Senado.
No levantamento feito pelo Movimento Contra a Corrupção Eleitoral, com base nos dados do TSE de 2000/2007, de parlamentares corruptos cassados no período, o DEM aparece em 1º lugar, com 69 cassações. Seguem na lista o PMDB (66), o PSDB (58), o PP (26), o PTB (24) e o PDT (23). Na pesquisa da Folha de São Paulo, com base nas eleições municipais de 2012, mais de 300 candidatos foram barrados por caírem na Ficha Suja. Neste ranking, o primeiro é o PSDB – o mais sujo e corrupto partido do país, conforme a FSP, com 56 candidatos barrados. Seguem na lista o PMDB (49), o PP (30), o PR (25), o PSB (23), o PTB (22) e o PSD (20).

Portanto, com base em números objetivos, não se sustenta a tese do deputado Vieira sobre alianças e justificativas éticas “intransponíveis”, a não ser que o critério subjetivo de moralidade pública do deputado só vale para um Partido.

No governo Dilma não houve qualquer acusação contra a presidenta nem ela conciliou com qualquer indício ou suspeita sobre seus comandados. O deputado Vieira da Cunha, agora tendo essas recaídas moralistas, está, também, desmemoriado. Esqueceu a crise vivida pelo seu Partido no Ministério do Trabalho? Ou em casa o constrangimento é transponível?
Naquela oportunidade, saímos atacando o Partido e o conjunto de seus quadros? A presidenta Dilma não foi solidária com o PDT e, junto com a necessária investigação e substituições,deixou de prestigiar o conjunto dos trabalhistas mantendo-os no governo?
Essas são razões objetivas, mensuráveis e vívidas que provam que as grosserias e acusações do deputado Vieira da Cunha não se sustentam, não possuem nenhuma base real.
O problema é outro. Além do personalismo, a trajetória do deputado é marcada pelo seu direitismo, pelo abandono do verdadeiro trabalhismo que sabe distinguir qual a conjuntura que estamos vivendo e quem são os inimigos do projeto popular e socialista.
A quem interessa dar estribo ao arrivismo e à direita mais intolerante e corrupta? Certamente não é ao campo popular e democrático. Por sinal, Brizola apoiaria o DEM e votaria em Lasier Martins?
No evento de saída do governo Tarso Genro dos Secretários do PDT – por decisão partidária – não ouvimos nenhum discurso de que saiam por desconforto ou por se sentirem “apêndices desnecessários”. Ao contrário, todos reafirmaram a identidade de propósitos e a autonomia que tiveram para realizar seu trabalho à frente de importantes secretarias e órgãos da administração indireta. Sentiam-se construtores de um grande programa de governo coletivo.
Não ouvimos mágoas ou lamentos, mas sim identidade e compromisso com um governo que tem lado e que vem recuperando as funções públicas e o atendimento dos direitos que a cidadania espera de um Estado estimulador e portador de um projeto político transformador.
Os problemas do PDT não existem por estar junto com o PT e outros partidos do campo popular e socialista na construção de um bloco estratégico virando uma saída programática de longo prazo para o Brasil. Essa deve ser buscada por todos nós do PT, do PDT, do PCdoB e de outras forças políticas que se reivindicam de uma nova sociedade.
Aí não há espaço para aventuras, para os interesses pequenos e individualistas que se movem por mesquinharias e cálculos eleitorais pessoais. Temos certeza que os verdadeiros trabalhistas não concordam com essas agressões ao PT e aos seus candidatos, por suas trajetórias de vida, de luta e de absoluta integridade no trato da coisa pública.
Mais do que isso, confiamos que ao longo dos próximos meses estaremos juntos com um número crescente de trabalhistas, com suas bandeiras e as nossas da Unidade Popular, marchando com Dilma e Tarso por mais mudanças que o Brasil e o Rio Grande reivindicam.
Neste momento, a grandeza da tarefa histórica que nos move nos leva à luta por uma profunda reforma político-eleitoral, por uma ampliação do protagonismo popular na gestão pública e uma democratização do atual monopólio da informação e dos valores culturais dominados pelo capital.
No 1º de maio, a presidenta Dilma reafirmou que este é um governo que tem lado, isto é, dos trabalhadores da cidade e do campo. Por isso, o emprego, o salário, a inclusão social, os direitos à saúde, à educação, à moradia foram e serão as prioridades. O próximo período é da afirmação democrática, já provamos que a esperança venceu o medo, agora a verdade e a consciência tem que vencer a confusão e a mentira para que possamos colocar a democracia e a cultura sob hegemonia da maioria do povo e não subordinadas, como ocorre hoje, aos interesses do poder econômico.