JC: Vanazzi defende retomada de bandeiras do PT

Do Jornal do Comércio

Presidente do PT no Rio Grande do Sul, Ary Vanazzi atribui os resultados negativos nas eleições estaduais – derrotas do candidato à reeleição Tarso Genro (PT) e do ex-governador Olívio Dutra para o Senado – ao que chamou de “criminalização da política”.

O dirigente também analisa o impacto dos 12 anos no governo federal e projeta que o PT terá de adotar uma nova postura em relação aos aliados. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, ele defende que alianças sejam feitas com partidos mais alinhados ao ideário petista e acredita que a legenda precisa retomar as bandeiras históricas.

Jornal do Comércio – Como o PT avalia, nesse primeiro momento, o desempenho nas eleições no Estado?

Ary Vanazzi – A primeira questão é que estamos no governo do País há 12 anos e existe uma ofensiva muito forte de criminalização da política. O segundo elemento é que, apesar de a gente ter feito um grande governo estadual, não conseguimos fazer com que o povo gaúcho pudesse se apropriar desse processo e desses avanços. O terceiro elemento é que a campanha no Estado, em um primeiro momento, era muito distinta, entre dois projetos. Nosso projeto contra o da senadora Ana Amélia (candidata do PP). Essa polarização ficou muito clara no primeiro turno, e não cuidamos do (José Ivo) Sartori (eleito governador, do PMDB).

JC – Qual foi o erro do PT? Também perdeu parceiros de governo, o PSB e o PDT.

Vanazzi – O PSB e o PDT estavam governando o Estado até os 40 minutos do segundo tempo e depois, por uma opção política estratégica, resolveram seguir outros caminhos. O PSB, em razão de uma conjuntura nacional, resolveu montar uma candidatura própria, saindo no nível nacional e estadual. O PDT saiu, porque achava oportuno ter candidatura própria para apresentar aos gaúchos seu projeto e fazer o partido crescer. No segundo turno, tínhamos apoio de muitas lideranças do PDT. Fizemos uma política de aliança correta, mas em função dessas estratégias partidárias, não conseguimos aumentar a composição. A nossa coligação no primeiro turno era maior do que a do Sartori. Não foi por culpa do PT que não houve uma aliança maior.

JC – O PT pensa em reavaliar a relação com os parceiros, inclusive abrindo mão da cabeça de chapa?

Vanazzi – O PT precisa começar a dialogar com partidos políticos que tenham uma visão mais próxima estrategicamente, para poder ampliar a base política e institucional em defesa desse projeto que defendemos. Acho que precisamos construir a política de alianças olhando para o horizonte de acirramento de projeto estratégico. Dentro desse processo, queremos ser sujeito, mas temos que olhar diferente para nossos parceiros. Então, há sim uma discussão sendo feita sobre a questão de alianças municipais. Precisamos urgentemente de uma pauta política que contemple as reformas estruturais do Estado, que articule uma nova postura com os movimentos sociais. Precisamos reassumir essas bandeiras históricas que sempre defendemos, para sermos de novo a referência institucional dessas bandeiras.