PT ouve movimentos sociais durante etapa estadual do 5º Congresso

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Representantes dos movimentos sociais avaliaram ser necessária a reaproximação do governo federal e do Partido dos Trabalhadores com sua base histórica. A análise dos movimentos sobre o PT foi o tema da segunda mesa de debates da etapa estadual do 5º Congresso petista, realizado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, neste sábado (30), com 250 delegados e delegadas inscritos.

De forma geral, os movimentos sociais exigiram outro rumo na condução do partido e das políticas de  governo. A presidente do Cpers, Helenir Schurer afirmou, por exemplo, ser necessário que “o PT retome a cultura de discussões com a base, de forma unificada e com políticas de interesse dos movimentos”. Segundo a dirigente, o PT tem que se preocupar com a ampliação de suas alianças, pois existem partidos conhecidos por ‘ventrílocos da direita’, que reproduzem um discurso para acabar com o PT. “Estes não nos servem”. Sobre o governo federal, ela avalia que sinais de avanços na condução das políticas devem ser apresentadas e os movimentos sociais devem ir às ruas exigir seus direitos”.

Principal aliada do PT, a CUT, Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul seguiu o mesmo tom da dirigente do CPERS. O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo disse que, neste momento, a pauta da Central é o projeto da Terceirização – PL 4330. “A ideia é acabar com este projeto no Senado, mesmo com a presidenta Dilma Rousseff tendo adiantado que pretende vetá-lo.” Para garantir mais avanços aos trabalhadores e a manutenção de conquistas históricas, o dirigente cobra acenos positivos do governo petista na esfera federal e não descarta uma greve geral a ser convocada pela CUT.

Cedenir de Oliveira, um dos coordenadores do MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) lembrou que as dificuldades que enfrentam o PT atingem, também, os movimentos sociais, pois “somos fruto do mesmo cordão umbilical”. Para o MST, é necessário que ocorra uma mudança profunda no partido. “Se não houver um processo de mudança radical, o partido não será mais o partido que conduzirá as mudanças que os trabalhadores precisam”, afirmou o coordenador.

Movimentos
Integrante do movimento LGBT, Luiza Stern afirmou que vários avanços surgiram com os governos petistas, mas foi no segundo mandato no governo federal que as iniciativas ficaram mais visíveis. Ela cobrou uma mudança no estatuto no partido, possibilitando maior participação do Movimento e, também, condenou a política de ódio ao PT registrado em vários episódios, como o que ocorreu na Assembleia Legislativa, há duas semanas, num debate sobre o Humaniza Redes, que debate o fim do ódio nas redes sociais e outro que atacou um militante do partido, durante um vôo aéreo que fazia o trecho Brasília-Porto Alegre. Para a militante do LGBT, “ovos das serpentes foram descascados e estão nos atacando, também, no Parlamento”.

Vários avanços no campo da agricultura familiar foram destacados pelo coordenadora da Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar no RS),  Cleonice Bach. Acreditando que o 5º Congresso do PT vai fortalecer ainda mais o PT como partido e organização, a coordenadora disse que é necessário “não esquecer a nossa caminhada vitoriosa, reconhecida mundialmente”. Segundo ela, no momento de crise, é preciso uma nova análise. “Olhar pra dentro e ver nossas falhas. Só fatores externos não devem ser observados. Mesmo com todos os avanços não conseguimos construir uma política de desenvolvimento sustentável. Precisamos voltar às origens e sermos, de novo, um grande partido de esquerda no País.” Cleonice acredita que o PT ainda é o melhor partido do Brasil.

Em nome da Marcha Mundial de Mulheres, Cláudia Prates, afirmou que políticas que desejam tirar direitos não vão ser admitidas. Ela reclamou de mais espaço dentro do próprio partido, na mesma proporção dada aos homens. A mesma reclamação foi encaminhada por Suelen Gonçalves, que sugeriu a retomada de movimentos nas ruas e mudanças na condução política do partido e do governo.

Marisa Silva, da União de Negros e Negras pela Igualdade lembrou que o povo negro saiu da base que elegeu, anos atrás, os primeiros governantes do PT. Porém, ela disse ser necessária a maior participação de negros no partido e mais recursos para as políticas públicas voltadas à população negra.

O dirigente da UNE defendeu o sistema de cotas, inclusive dentro do PT e disse que é preciso avançar ainda mais e não retroceder. “Temos que nos orgulhar de tudo o que fizemos e apontar para o futuro.” O integrante do CONAM (Confederação Nacional de Associações de Moradores), Pedro de Souza afirmou que a grande alternativa para o PT é a relação com os movimentos sociais. Pedro citou que o PT deve retomar o debate com os movimentos sociais. Disse que “estamos perdendo espaço para o ódio da direita e precisamos voltar para as ruas”.

A Central dos Movimentos Populares – CMP conclamou pela unidade do PT junto aos movimentos sociais. Clédis Resende,vice-presidente da Federação das Associações das Comunidades Quilombolas do RS, disse que o Partido precisa reconstruir a aproximação junto às comunidades negras, reconhecidas pelo partido ainda no governo de Olívio Dutra.

Roger da Rosa – Jornalista – MTE 6956/RS