RS TEM SAÍDAS: Para petistas a crise nas finanças foi gerada pelo PMDB

Parlamentares do PT não aceitaram o discurso da base governista que tentou transferir para o governo federal a responsabilidade pela crise no Estado e o consequente bloqueio das contas do governo estadual. O bloqueio foi adotado no começo da noite desta terça-feira (11), devido ao não pagamento da parcela da dívida com a União.

Os governistas reclamaram que a presidenta Dilma Rousseff não recebeu o governador Sartori para tratar da dívida do Estado, quando ele queria apresentar uma suposta proposta de financiamento. “Os deputados da base do governo se esquecem que a bancada do PT, junto com partidos de oposição, ofereceu a proposta com solução parcial e imediata, que é o aumento nos saques dos depósitos judiciais. Esta operação não precisa de apoio nem da autorização da presidenta Dilma”, afirmou o deputado Tarcísio Zimmermann (PT).

Segundo o parlamentar, com o aumento dos saques, o governo teria R$ 1 bilhão a mais nos cofres públicos. “Aliás, o governador teve este direito desde o começo do ano e não o usou como forma de honrar a sua responsabilidade, que é pagar os salários dos servidores e outros serviços públicos. Agora, a base do governo vem contar histórias, querendo achar outros culpados. Contem histórias melhores, mais verossímeis”.

30 anos
O líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, Luiz Fernando Mainardi mostrou na tribuna um recorte de jornal, de 30 anos atrás, cujo texto dizia que “a arrecadação do governo do Estado não consegue mais cobrir a folha de pagamento do funcionalismo ativo e do inativo, que chega a 25% do total”. Para o parlamentar, “não podemos responsabilizar um governo (do PT, no caso) pela crise financeira atual no Estado como tem insistido alguns deputados”.

Mainardi insiste que a crise financeira foi aumentada, consideravelmente, durante o governo Britto, que, na época, assumiu o Estado com uma dívida de R$ 20 bilhões e, depois de assinar um acordo da dívida gaúcha com o governo federal, na gestão tucana de FHC, deixou o valor em R$ 44 bilhões. O contrato exigia o pagamento da dívida e cláusulas previam o bloqueio das contas do Estado em caso de descumprimento. Para o líder petista, “querer passar a responsabilidade, agora, para o atual governo federal é muito mais do que irresponsabilidade administrativa. A responsabilidade, agora, é do governo Sartori, que é quem administra o Rio Grande do Sul”, fulminou.

Oportunistas
Outro deputado petista, Jeferson Fernandes (PT) lembrou que o governo do Estado esperou quase oito meses de administração para negociar a dívida com o Ministério da Fazenda. “Sempre alertamos que o governador tomasse iniciativas a partir da renegociação da dívida confirmada no ano passado, mas não houve nenhuma ação de fato”, citou o parlamentar.

Querer culpar o PT é uma atitude oportunista, na opinião do deputado Jeferson. Ele lembra que quem assinou o contrato foi o governo do PMDB. Na época, a bancada do PT alertou que a renegociação assinada com o governo federal tucano seria uma tragédia para o Estado. Mas o governo peemedebista assinou e tinha na liderança do partido o atual governador Sartori. “Agora não podem reclamar de um contrato firmado por eles (PMDB).”

Texto: Roger da Rosa (MTE 6956)

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