Sim, é culpa do Sartori! por Stela Farias*

Eleito para governar o Rio Grande sem apresentar uma única proposta, mas comprometendo-se unicamente em não aumentar impostos, o governador Sartori tratou de colocar em prática o programa iniciado nos anos 90 por Antônio Britto. O PMDB governa o RS pela quarta vez em menos de 30 anos. Nesse período, estabeleceu um profundo processo de redução das funções públicas do Estado, privatização de patrimônio e aumento de impostos. Nenhum dos quatro governos do PMDB resolveu qualquer problema estrutural das finanças, porque é um partido que não acredita no Estado. Sartori verbalizou esse sentimento, comparando o Estado à uma “vaca morta”.

Britto chegou a ter um orçamento extra com a venda da CRT e parte da CEEE, mesmo assim, aumentou em 122% o comprometimento da dívida com a União. Legou aos seus sucessores um Estado menor e uma dívida maior. Atrasou e parcelou salários, não pagou reajustes garantidos por lei e deixou um enorme passivo jurídico. Na sequência Germano Rigotto penalizou os servidores públicos com parcelamentos e alegando baixa arrecadação, também aumentou impostos.

Sartori segue a mesma agenda. Estabeleceu a paralisia da máquina pública, suspendeu pagamento de fornecedores, cortou verbas de custeio e horas-extras em áreas essenciais, penalizou servidores com o parcelamento de salários e a população, com a redução de serviços e efetivo em áreas essenciais como a Segurança e a Saúde.

Apesar das consequências nefastas dos governos do PMDB para a economia gaúcha, Sartori e os deputados do seu partido, preferem atribuir ao governador Tarso – que em quatro anos, ampliou a arrecadação sem aumentar impostos, nunca atrasou salários, e registrou o crescimento da economia acima da média nacional – a culpa pela crise nas finanças. Comprometido com o neoliberalismo tardio e retrógrado, Sartori e aliados não aceitam que o Governo do Estado invista pela primeira vez, os 12% do orçamento na Saúde, tampouco que pague mais de R$ 4 milhões em RPVs e precatórios ou conceda mais de 76% de aumento aos professores e 104% para soldados da Brigada Militar.

O fato é que, ao deprimir a economia gaúcha com um novo aumento de impostos linear, atingindo inclusive itens da cesta básica, o governador Sartori ainda não apresentou sequer um programa de desenvolvimento, mas ampliou as dificuldades de toda a população, posta de joelhos diante de uma agenda voltada apenas para uma parcela privilegiada da sociedade.

(*) vice-líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa