Membros do Conselhão celebram debate e elogiam medidas do governo federal

A oferta de refinanciamento do Financiamento de máquinas e equipamentos (Finame) e do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) estão entre as medidas consideradas mais positivas para dar o mercado e a indústria

Reunidos pela primeira vez no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, nesta quinta-feira (28), integrantes da nova formação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) elogiaram as medidas anunciadas pelo governo e comemoram a volta do espaço de discussão e reflexão.
Um dos representantes da classe trabalhadora no chamado “Conselhão”, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques da Silva Junior, classificou a reunião como um “espaço privilegiado” para apresentar ideias novas. “Ideias que coloquem o Brasil, num ponto de vista imediato, de médio e longo prazo, numa rota de crescimento, com os trabalhadores como prioridade”, disse.

“Saio daqui com a sensação que temos muito trabalho pela frente. E com a expectativa de que as propostas que estamos construindo, especialmente junto com os conselheiros ligados aos trabalhadores, tenham espaço oportuno”, avaliou.
Mesmo representando interesses opostos ao do metalúrgico, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, José Carlos Martins, concordou com a relevância das medidas anunciadas pelo governo, e que serão debatidas pelo Conselhão. “Esse ambiente é um fórum onde todos podem buscar uma convergência do que é melhor para o País. Entendo que é um momento oportuno de distensionar”, afirmou, ao deixar o encontro.

Martins destacou a maior oferta de crédito como importante resposta ao déficit de empregos no setor. “Quando disponibilizo mais recursos, por exemplo para o crédito imobiliário, estou deixando de paralisar obras e iniciando outras”, exemplificou.

Sobre a proposta citada pela presidenta Dilma de avaliar a volta de um imposto nos moldes da CPMF, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC disse se tratar de um projeto desafiador, que “merece reflexão”. “Temos a abertura de encontrar medidas alternativas ou de até discutirmos como ela poderá ser introduzida”, disse.Ele cobrou, no entanto, que sa medidas para alavancar a arrecadação do governo estejam condicionadas à geração de emprego, inclusão e distribuição de renda, de maneira equilibrada, “e que os trabalhadores saiam ganhando com isso”.
“Nós trabalhadores precisamos da economia retomando seu rumo, gerando emprego e novas oportunidades”, reforçou.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan Yabiku Junior, o apelo feito pela presidenta Dilma e pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para que o grupo avalie a proposta da recriação da volta da CPMF será ouvido. “Nós faremos isso”, garantiu. Moan elogiou ainda o anúncio de que o governo vai refinanciar os empréstimos feitos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio do Financiamento de máquinas e equipamentos (Finame) e do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). “É uma medida bastante positiva”, afirmou, ao final do encontro. “Visa não prejudicar o investidor que acreditou no Brasil e, ao tomar um financiamento para investimento, de repente, encontrou uma recessão bastante severa”, completou.

O presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Buch Pastoriza, também comemorou o anúncio que, segundo ele, dará “um fôlego” aos empresários que investiram em novo maquinário e ainda não obtiveram retorno. “Uma das medidas que o Brasil precisa para trilhar um círculo virtuoso é estimular o consumo”, sugeriu, também.

O presidente do Sebrae, Guilherme Afiff Domingos, ressaltou que o encontro demonstra a retomada da agenda positiva ao país, após longo período de entraves na política nacional. “A sociedade está pedindo isso”, disse. Para ele, o governo deu um passo importante, pois “moveu-se a primeira pedra” para levar o debate da superação da crise para fora da pauta política. “Na hora de buscar consenso, vamos atrás do que é convergente. E tem muita convergência (no Conselhão)”, concluiu.

Por Flávia Umpierre, da Agência PT de Notícias