POA+ : As forças de esquerda tem que se unir, diz Boaventura

POA + Boaventura

por Gisele Figueiredo

Em um ambiente de completa democracia e liberdade de pensamento ao ar livre, o sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos participou nesta sexta-feira (22) da segunda edição do Ciclo de Debates POA Mais, que integra o Fórum Social Temático, no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Boaventura que é o mais novo cidadão porto-alegrense foi aclamado pela multidão ao defender a união dos partidos de esquerda. “Eu não entendo porque é tão difícil estabelecer essa união, a esquerda trabalha sob a mesma ótica, sob a luz dos programas sociais, sob os mesmos ideias e princípios. A união é uma atitude fundamental tanto aqui em Porto Alegre quanto em São Paulo. Erros existem, é claro, somos humanos, mas é preciso firmeza para corrigi-los com coragem e determinação”, alertou durante o debate que teve como pauta o enfrentamento às desigualdades nas cidades. Escolhida para sediar o Fórum Social Temático, Porto Alegre vive uma década em que o planejamento urbano foi abandonado e deixado a mercê do debate social.

Para o sociólogo que defende que esta edição seja utilizada para um balanço dos 15 anos do Fórum Social Mundial não se deve perder as oportunidades. “Quando um governo de esquerda perde uma oportunidade, levam-se décadas para recuperar.  Portanto, é essencial reaver a esperança e a união na esquerda”, ressaltou. Boaventura destacou ainda a problemática da criminalização dos protestos sociais, do racismo crescente que assola o país, da promoção da igualdade social, da ocupação dos espaços públicos sem o abuso das forças de segurança e de um transporte público digno.

Promovido pelas Fundações Perseu Abramo (PT) e Maurício Grabóis (PCdoB) e Friedrich Ebert, o evento contou ainda com a presença do antropólogo e ex-secretário de Planejamento de Bogotá, Gerardo Ardilla que fez um relato emocionante sobre como a sua administração de esquerda enfrentou o racismo, a exclusão social, os conflitos de mobilidade urbana, a falta de água e a constante luta contra a segregação socioeconômica. “Tivemos que unir forças e repensar coletivamente em um plano de reordenação urbana, construir casas, combater os altos preços do transporte público. Pensar na existência da diversidade, no fortalecimento dos serviços públicos”, revelou Ardilla destacando que importantes passos foram dados para melhorar a vida da população colombiana e que os erros cometidos servirão para a retomada do poder e da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Participaram ainda desta atividade, a deputada federal Maria do Rosário, o deputado estadual Raul Pont e a ex-deputada estadual Jussara Cony além do vereador Alberto Kopittke.

Sob o lema “Um Outro Mundo é Possível”, o Fórum Social Mundial, que é uma rede de forças, pensamentos e organizações de todas as partes do mundo na luta anti-capitalista ocorrerá de 09 a 14 de agosto, em Montreal, no Canadá.