Ação contra Lula mobiliza PT, PCdoB e movimentos sociais no RS

Coletiva lula

Lideranças do PT, PCdoB, dos movimentos sindicais e sociais no Rio Grande do Sul participaram de uma coletiva à imprensa, nesta sexta-feira (4), no Plenarinho da Assembleia Legislativa para condenar a ação da Polícia Federal realizada nesta data, em São Paulo, em especial a condução coercitiva do ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, que foi levado para depor numa sala do aeroporto de Congonhas (SP), em mais uma etapa da Operação Lava-Jato, denominada de “Aletheia”. Na coletiva, todos se manifestaram contra a ação coercitiva e em favor de Lula. Conclamaram a população e a militância para participar de um ato, dia 13, no Parque da Redenção em Porto Alegre, contra o golpe e a favor da democracia.

Todas as lideranças foram enfáticas em lembrar que o ex-presidente Lula nunca se negou a prestar esclarecimentos dentro do devido processo legal. Lembraram que bastava ter oficiado o ex-presidente para agendar depoimento. As comparações com a situação do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, foram inevitáveis: “Por que Eduardo Cunha nunca foi levado coercitivamente para depor se explicitamente usa o cargo de presidente da Câmara para manobrar em sua defesa”, indagou o deputado federal Henrique Fontana (PT).

Primeiro a se manifestar, o presidente do PT/RS, Ary Vanazzi disse que há um jogo político e seletivo por trás destas ações e que o delegado “Sérgio Moro não age como membro da Polícia Federal. Há um projeto político por trás.” Por isso, convocou os militantes para o ato do dia 13. “Vai ser o ato pela democracia e de enfrentamento ideológico.”

O presidente do PCdoB na Capital, Márcio Cabral disse que o momento é de extrema gravidade e que isso é semelhante ao Golpe de 64. “Não vamos aceitar que nossas lideranças sejam presas e ameaçadas, muito menos um impeachment da presidenta Dilma.” O dirigente afirmou que “está instalado um Comitê Permanente de Luta. E não é só a favor de Dilma ou do Lula, mas é pela democracia”.

Em seguida, o presidente da CUT/RS, Claudir Nespolo indagou “a que ponto chega a irresponsabilidade de certos membros do MP e Judiciário. Usam a corrupção como um biombo”. Para ele, “se hoje buscam Lula, amanhã vão buscar qualquer trabalhador. Vamos continuar denunciando este golpe que é contra os trabalhadores. Acabou a brincadeira! Agora, é a fase da defesa da democracia que demoramos tanto para conquistar.”
Líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa, o deputado Luís Fernando Mainardi lembrou que o episódio de hoje é mais um dos que tentam obstaculizar os avanços da democracia “que conquistamos até agora”. Segundo ele, “o ataque ao Lula é um ataque ao que construímos no País, por parte dos que buscam interromper o processo de mudança. Vamos reagir, denunciando este tipo de manobra que condena antes de julgar”. O líder petista disse que o PT e seus aliados não vão baixar a cabeça.

A deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) afirmou que a coletiva de imprensa não era só uma reunião de militantes, mas de quem está do lado da democracia. A parlamentar cobrou igualdade nos procedimentos adotados pela Polícia Federal, referindo-se a condução para depoimento do empresário e presidente da Gerdau e, hoje, de forma coercitiva, do ex-presidente Lula. Ela condenou os atos que remetem para o período da Ditadura, dizendo que “a brincadeira que fizeram com o estado de direito, na década de 60, demorou 21 anos”. Manuela mandou um recado para quem é contra a democracia: “Vocês não nos calarão! Este estado (RS) que pariu Getúlio e Brizola reagirá como em outras vezes”.

O dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Igor Pereira afirmou que a Central está empenhada em cerrar fileiras contra o golpe que está em curso. “Esse ataque midiático que foi montado representa que, se o Lula cair, caem os direitos dos trabalhadores e a democracia no País.”

O deputado federal Henrique Fontana (PT) reforçou, ainda, que vivemos uma crise política no País alimentada pela mídia e por setores da sociedade e da oposição ao governo Dilma que não aceitaram, até agora, o resultado da última eleição presidencial. Citou que Lula foi e é a liderança mais atacada e denunciada da história recente do País. “E não há nenhuma prova ou processo contra ele”. Por outro lado, “Dilma é símbolo da honestidade. Onde estão as provas contra Lula e Dilma? ”, questionou. Segundo Fontana, a crise política está asfixiando o Brasil e os interesses da população. “Vamos pensar nas futuras gerações. A postura da oposição é para dividir o País”, disse. Para o deputado, “para combater a corrupção não se combate um governo”.

Além das lideranças partidárias que sindicais que se manifestaram na coletiva, participaram os deputados estaduais do PT Adão Villaverde, Altemir Tortelli, Jeferson Fernandes, Nelsinho Metalúrgico, Stela Farias e Tarcísio Zimmermann. Os outros parlamentares petistas, Edegar Pretto, Miriam Marroni Valdeci Oliveira e Zé Nunes estavam fora da Capital, mas foram representados na coletiva. Os vereadores petistas Marcelo Sgarbossa, Sofia Cafedon e Comassetto, a vereadora Jussara Cony (PCdoB) e o ex-deputado e dirigente do PT-RS, Raul Pont estavam presentes.
Roger da Rosa – Jornalista (MTE 6956/RS)
com Patrícia Duarte e Tina Griebeler