Dilma à CNN: Jamais pensei em ver novamente processos arbitrários

Em entrevista exclusiva à rede de TV norte-americana, a presidenta garantiu que lutará para preservar seu mandato e, acima de tudo, a democracia no País

A presidenta Dilma Rousseff, que lutou pela democracia durante a época da ditadura militar no Brasil, afirmou que jamais pensou que veria, novamente, um processo arbitrário no País. A declaração foi dada durante entrevista exclusiva para Christiane Amanpour, correspondente-chefe da TV CNN para assuntos internacionais. A entrevista foi veiculada na tarde desta quinta-feira (28).

O processo arbitrário a que refere é o processo de impeachment, a qual chamou de golpe. “A pior sensação que existe para qualquer ser humano é a injustiça. E eu estou sendo vítima de uma grande injustiça, que é esse processo de impeachment, porque com ele eu perco uma conquista democrática do País. Ocorre na minha época histórica algo que eu jamais pensei em ver novamente: processos arbitrários em andamento”, afirmou.

“A pior sensação que existe para qualquer ser humano é a injustiça. E eu estou sendo vítima de uma grande injustiça”

A presidenta, porém, garantiu que lutará para preservar seu mandato e, acima de tudo, a democracia no Brasil. “Mais do que apenas pensar, eu lutarei para sobreviver, não só pelo meu mandato, mas pelo fato de que o que eu estou defendendo é o princípio democrático que rege a vida política brasileira”, pontuou.
E completou: “O mandato não pertence só a mim, mas também aos 54 milhões que me deram seu voto e a todos os 110 milhões que participaram do processo eleitoral”, disse a presidenta.

Dilma ainda destacou que, enquanto ela não tem nenhuma denúncia de corrupção, aqueles que lideram o processo do seu impeachment são réus. “Todos que fizeram o impeachment contra mim, os líderes, não estou falando na base, têm processo de corrupção, têm denúncia de corrupção, principalmente o presidente da Câmara”, ressaltou.

Ela lembrou que todas as medidas enviadas à Câmara para enfrentar as dificuldades econômicas foram torpedeadas pela Casa e por seu presidente, Eduardo Cunha. “Eles não apenas começaram a instabilidade política, tentaram inviabilizar a retomada do crescimento econômico”, disse.

A presidenta afirmou que a baixa popularidade não pode ser justificativa para um processo de impedimento. “Não é o processo de tirar presidente, não é. Não pode ser simplesmente você fazer uma pesquisa. Um processo eleitoral é o momento de debate, não é uma fotografia congelada de um determinado momento em que um país passa”, declarou.

E destacou que impopularidade é cíclica e “se fosse assim, todos os presidentes ou primeiros ministros da Europa, que tiveram taxas de desemprego de 20% teriam de sofrer processo de impeachment, porque também tiveram profundas quedas na popularidade”.

“Você já imaginou se a moda do impeachment pega? Cada vez que um presidente tiver flutuação de popularidade, ele vai ser retirado do cargo”, ponderou.