1º de Maio: Esquivel chama a atenção para “golpe branco” na América Latina

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Ele chegou ao meio-dia na Praça da Redenção. No 1º de Maio, o prêmio Nobel da paz, o escultor e militante da não-violência argentino, Adolfo Pérez Esquivel, subiu no caminhão de som para falar de um golpe branco em curso não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Levou seu abraço solidário às cerca de 10 mil pessoas que circularam no entorno do Monumento ao Expedicionário. No domingo, os trabalhadores definiram uma jornada de luta contra o golpe que aponta para greve geral em 10 de maio.
Esquivel diz que os tempos são difíceis para a democracia e que há um movimento de ataque aos direitos dos trabalhadores em toda a América Latina. “A unidade dos trabalhadores e do povo é muito importante no Brasil e na América Latina frente ao golpe de estado branco. Antes necessitavam de exércitos para dar golpes. Hoje não precisam mais. Basta levantar os meios de comunicação”, disse Esquivel.
Quanto à sua visita ao Senado, ele teceu um breve comentário. Esquivel falou durante um minuto, no parlamento, e foi interrompido por deputados da oposição ao governo Dilma, mas que aquele tempo valeu a pena. “Falei um minuto no Senado em Brasília. Esse minuto deu a volta ao mundo denunciando o golpe. Quando há censura, não há liberdade. O povo tem direito à sua soberania, à sua identidade, à sua diversidade. Para isso, é preciso um modelo de desenvolvimento justo”, explicou.

Os exemplos trazidos por Pérez Esquivel mostram que a metodologia do golpe no Brasil repete aquilo que já funcionou em Honduras, com a deposição do presidente Manoel Zalaya, e no Paraguai, com o presidente Fernando Lugo, ambos derrubados por interesses em recursos dos dois países. “A coisa mais importante é a defesa da democracia no Brasil. Se não a defendermos, vai se desenvolver o autoritarismo e o pensamento único”.

Outra questão levantada pelo Nobel da paz diz respeito à motivação dos partidos conservadores em conseguir dar o golpe. Além dos recursos nacionais, há o interesse nas estatais. “Estamos num momento em toda a América Latina de ameaça à diversidade. A grande riqueza dos povos é a diversidade. Eles têm pressa e rapidamente conseguem vender todo o patrimônio público e a diversidade dos povos. Nunca de joelhos, sempre de pé para defender a soberania dos povos”.