Dilma no RS: Ato pela democracia e livro contra o golpe

Dilma Ato

A presidente Dilma Rousseff estará no Estado, nesta sexta-feira (3/6).
Junto com os gaúchos e gaúchas fará agenda contra o GOLPE E PELA DEMOCRACIA.

Ás 16horas, no Teatro Dante Barone, participa de lançamento do livro RESISTÊNCIA AO GOLPE de 2016*, elaborado por diversos profissionais, advogados, professores, jornalistas, cientistas políticos, artistas, escritores, arquitetos, líderes de movimentos sociais, brasileiros e estrangeiros que reúnem, em 450 páginas, argumentos para denunciar a quebra da institucionalidade democrática que está ocorrendo no Brasil.

Às 17h30min, estará na Esquina Democrática para o grande ato pela DEMOCRACIA E CONTRA O GOLPE.
O governo golpista de Temer veio para acabar com a Lava Jato e com as políticas sociais. Em uma semana de governo, Temer cortou o Programa Minha Casa, Minha Vida, cortou o Ministério da Cultura (depois voltou atrás pela pressão das ruas), cortou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério das Mulheres. Anunciou cortes no Bolsa FAmília, no SUS e o Fim do Fundo Soberano, que garante os recursos do Pré-Sal para a saúde e a educação.
POR ISSO E MUITO MAIS, ESTAREMOS NAS RUAS, ATÉ DERRUBAR O GOVERNO GOLPISTA

O golpe em gravação
Flagrados por gravações, Ministros do governo golpistas comprovam a intenção de terminar com as investigações da Lava Jato.
Gravações vieram a público na última semana comprovam que Temer, junto com lideranças do PMDB tramaram o golpe para tirar Dilma do poder e barras as investigações da Lava Jato.
O conteúdo das gravações já derrubou dois ministro do governo golpista em uma semana:

O conteúdo da conversa de Jucá com seu sócio de crime fornece elementos do golpe, e reafirma o que as ruas já denunciavam, tirar a Dilma era barrar a Lava Jato:
1. o impeachment da Presidente sem nenhuma acusação de crime, é a moeda de troca para livrar a cara dos verdadeiros bandidos:
- Jucá: “Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro. … Tem que ter impeachment. Não tem saída. … Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”.
- Sérgio M.: “Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém agüenta mais”.

2.o governo golpista, integrado pelos partidos implicados na Lava Jato, faz parte do acerto para encerrar a Operação:
- Sérgio M.: “Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer]. … Botar o Michel, num grande acordo nacional”.
- Jucá: “Com o Supremo, com tudo”.
- Sérgio M.: “Com tudo, aí parava tudo”.
- Jucá: “É. Delimitava onde está, pronto”.
- Jucá: “[Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranqüilo, os caras dizem que vão garantir”.

3. os centros de execução do golpe adotam uma linha meticulosa de operação:
- Sérgio M.: “Essa cagada desses procuradores de SP [controlados pelo PSDB] ajudou muito” [segundo a FSP, se trata de possível alusão ao pedido de prisão de Lula pelo MP/SP devido ao apartamento de Guarujá].
- Jucá: “Os caras fizeram para poder inviabilizar ele [Lula] de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento…” – aqui a referência é ao pretexto criado pelo MP/SP e usado pelo Gilmar Mendes, do STF, para impedir Lula de assumir a Casa Civil.

4. a Lava Jato é direcionada e seleciona como alvo o PT, apesar que somente 2 dentre os 105 condenados na Operação sejam identificados com o PT:
- Jucá: “O Marcelo e a Odebrecht vão fazer [delação]. … Seletiva, mas vai fazer”.

5. a sociedade de governo entre Temer e Cunha é parte da estratégia para ganhar tempo para a travessia em direção à impunidade. Cabe lembrar que Cunha indicou vários operadores para postos-chave do governo usurpador [Casa Civil, AGU, Justiça etc]:
- Sérgio M.: o Renan “ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele”.
- Jucá: “Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem”.

6. a Lava Jato protege os tucanos:
- Sérgio M.: “O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…”.
- Jucá: “É, a gente viveu tudo”.

Se uma revelação desta gravidade fosse feita no governo Dilma, o país amanheceria virado de pernas para o ar, com o noticiário exclusivo sobre o escândalo nas 24 horas do dia, com um clima de fim de mundo e pedidos de impedimento, de prisão, dos envolvidos, inclusive do golpista Michel Temer, que apesar de citado em diversas listas de corrupção, ainda preside o governo ilegítimo e nomeia ministros denunciados em escândalos de corrupção e réus em diversos crime

*LIVRO


Na obra “Resistência ao Golpe de 2016”, advogados, professores, jornalistas, cientistas políticos, artistas, escritores, arquitetos, líderes de movimentos sociais, brasileiros e estrangeiros reúnem em 450 páginas argumentos para denunciar a quebra da institucionalidade democrática que está ocorrendo no Brasil.

A complexidade do golpe em curso precisa ser denunciada de forma multifacetada porque não se resume à abreviação do mandato constitucional da Presidente da República por um processo de impeachment sem crime, mas inclui ataques e desmonte das conquistas sociais, políticas e jurídicas fruto de lutas permanentes ao longo de mais de 30 anos desde o fim da ditadura civil-militar. Do papel do STF à atuação da mídia, das “pedaladas fiscais” aos meandros do Poder Legislativo, da função dos atores políticos internacionais aos bastidores da Lava Jato, da crise de representatividade à ofensiva golpista contra direitos e políticas sociais, são inúmeros os recortes, ângulos e perspectivas sobre o golpe de 2016 que, em muitos aspectos, já se consumou.

Muitos desses textos já foram, em datas variadas, publicados. A maior parte deles entre os últimos meses de 2015 e o início do mês de maio de 2016. Mas reuni-los em um só local nos pareceu importante por vários motivos: esse livro é uma arma de luta política que chegará em muitas mãos em todos os recantos do país, representa a identidade de um grupo de pessoas que pretende resistir ao golpe e, para cada um de nós, uma maneira de publicamente traduzir nosso compromisso com a democracia e com a legalidade.

AUTORES
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Com Jeferson Miola/ colunista Carta Capital