Justiça e verdade são respostas no caso da Ford, dizem deputados do PT

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Após 16 anos de disputa judicial, o governo estadual vai receber da Ford R$ 216 milhões de indenização referente ao processo movido contra a empresa Ford pelo ex-governador Olívio Dutra (PT), quando a montadora foi cobrada por quebra de contrato firmado durante a administração petista. A ação do governo Olívio na época ocorreu porque a empresa desistiu de se instalar no Rio Grande do Sul. Secretário de governo naquele período, o agora deputado estadual Tarcísio Zimmermann (PT) considerou que está sendo feita justiça.

“Às vezes, a justiça e a verdade tardam, mas neste caso ambas foram repostas.” Ele explica que a Ford foi embora por conta de uma conspiração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo rompimento do contrato de forma unilateral por parte da Ford, reconhecido pela empresa no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“Foi uma luta difícil, que envolveu o ex-governador Olívio Dutra e o ex-secretário de Desenvolvimento, Zeca Moraes e o PT, muito atacados com base na mentira de que o governo teria mandado a Ford embora”, comentou o deputado Tarcísio, durante a reunião da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (24) pela manhã. Na reunião, que aprovou com votos contrários da bancada do PT o Orçamento proposto pelo governo Sartori para 2017, Tarcísio citou que Olívio foi detratado pela oposição e pelos monopólios da Comunicação.

Tarcísio disse, ainda, que a própria Ford reconheceu ter cometido uma ilegalidade, ao romper, unilateralmente, um contrato no Rio Grande do Sul. “Os R$ 216 milhões estão repondo essa verdade.”

Tribuna
À tarde, na tribuna do plenário da Assembleia Legislativa, o deputado Jeferson Fernandes (PT) reforçou que o pagamento da indenização é uma reparação tanto ao governador Olívio quanto à memória do ex-secretário Zeca Moraes. “Hoje se faz justiça com o povo gaúcho. Além disso, fica estabelecido que, para o Estado se desenvolver, não pode, em hipótese alguma, ter recurso público destinado a uma ou outra empresa multinacional como a Ford ou a GM.” Para Jeferson, se tem que haver incentivo fiscal, deve ser para os setores que geram emprego e renda.

O deputado disse que há muita empresa da grande mídia que fala alto sobre a corrupção e da necessidade de serem pagos impostos, “mas elas são as primeiras a sonegar na hora que tem que pagar”. De acordo com o “sonegômetro” – medidor de quem sonega impostos no Rio Grande do Sul, criado pelos servidores da Fazenda estadual –, já passa de R$ 6,5 bilhões a sonegação de imposto, até este mês. “É um assunto que temos que combater, ao invés de entregar o patrimônio público e cortar direitos de servidores que já recebem parcelado”, finaliza.

Texto: Roger da Rosa (MTE 6956)