Documentário sobre a vida de Olívio tem lançamento em Porto Alegre

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O filme será lançado no dia 26 no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa do RS (uma terça-feira às 19h, entrada gratuita e distribuição de senhas à partir das 18h) e simultaneamente nas redes sociais, gratuitamente, para visualização.

A vida do sindicalista e ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio de Oliveira Dutra é tema do mais novo documentário longa-metragem do cineasta Thiago Köche. Com o título de “Galo Missioneiro – A Trajetória de um Militante”, Köche afirma que o projeto visa “lembrar os bons exemplos da esquerda gaúcha, com Dilma, Tarso, Raul, Olívio, Iria Charão entre outros e ver que há figuras idôneas e coerentes como Olívio que vale a pena nos somarmos no ambiente político”.

Thiago Köche é bacharel em realização audiovisual pela Unisinos do RS. Trabalhou com cinema, televisão, publicidade, web, videoclipes, institucionais e desde 2010 trabalha filmando política. Além do documentário longa-metragem “Galo Missioneiro – A Trajetória de um Militante”, seu principal trabalho é o documentário curta-metragem “Manifesto Porongos”, selecionado para 22 festivais nacionais e internacionais e vencedor de cinco prêmios.

Leia a entrevista:

PT Sul – De onde surgiu a ideia do documentário?

Thiago Köche – Com o difícil, retrogrado e reacionário momento em que vivemos na sociedade e na política, no mundo todo. A ideia foi utilizar do cinema para contribuir com o debate. Nas últimas décadas tivemos ciclos de direita e esquerda. Vivemos uma ascensão da direita muito conservadora, consequentemente com momento de reestruturação da esquerda brasileira. O longa-metragem procura dialogar olhando para o presente e o passado. No presente, acompanhando o dia a dia do incansável militante político, da luta do povo trabalhador, mesmo sem mandato ou ser candidato, Olívio Dutra. No passado, lembrando os bons exemplos de gestão que olharam para aqueles que mais precisam das políticas públicas como foi nas prefeituras do Partido dos Trabalhadores em Porto Alegre. Quatro consecutivas, de 1989 até 2000. Gestões que além de cuidar do povo mais pobre e excluído, democratizou a democracia com o Orçamento Participativo, muito pesquisado até hoje. E claro, na marcante gestão de governador de Olívio, que soube enfrentar os interesses do grande capital e priorizar os movimentos sociais e todos aqueles que, por crueldade do capitalismo selvagem em que vivemos, são excluídos de alguma forma ou outra.

PT Sul – Em quanto tempo e onde foi gravado?

Thiago Köche – A ideia inicial era um curta-metragem. Num dos processos de captura das fitas antigas na Casa de Cinema – produtora que foi parceira e apoiadora no projeto -, meu ex-professor na faculdade de cinema e sócio da empresa, Giba Assis Brasil, me disse: “um documentário sobre o Olívio tem que ser um longa-metragem”. Isso ficou matutando na minha cabeça. Com o adiamento do lançamento de dezembro do ano passado pra julho deste ano, fui captando o que pude com o Olívio. E quando vi, sem esforços e tirando muito material bom para não deixar um filme cansativo, se transformou num longa. Acabou sendo um ano entre produção, gravação, edição e finalização. Com uma equipe mínima: eu com uma câmera, Olívio com um lapela e muita andança por aí. Depois se somaram na parte técnica os companheiros Lucas Argenta na animação, de Santa Maria, e Humberto Schumacher, com a edição de som e mixagem, que é de Canguçu. Realizei as gravações nos finais de semana e durante à noite sempre que possível, é claro e contei com o apoio do mandato do deputado Edegar Pretto para a realização da mesma.

PT Sul – O que o espectador pode esperar do longa?

Thiago Köche – O filme “O Processo” da Maria Augusta Ramos é um importante documentário também para o atual debate político. Como não poderia deixar de ser, as pessoas saem triste do cinema, revoltadas, com o processo injusto de golpe que a ex-presidenta Dilma sofreu. “Galo Misioneiro – A Trajetória de um Militante” é diferente. Um filme para lembrarmos os bons exemplos da esquerda gaúcha e vermos que há figuras idôneas e coerentes como Olívio e que vale a pena nos somarmos no ambiente político. Não há ser apolítico. Ou você se soma ao debate, mesmo que seja desgastante e é, ou você é coerente com o que há de pior na política. Além disso, vendo imagens históricas inéditas de diversos arquivos e museus, resultado de um cansativo trabalho de pesquisa, tenho certeza que homens e mulheres, da velha e nova geração, sairão empolgados pro difícil pleito que teremos em outubro de 2018.

PT Sul – Qual foi a parte mais difícil de gravar com Olívio e a mais fácil?

Thiago Köche – A mais difícil foi o caso Ford. Uma injustiça que acabou numa condenação para a empresa de R$ 216 milhões de devolução ao Palácio Piratini, hoje no comando com Sartori. O Olívio foi muito massacrado, injustamente e cruelmente, pela grande mídia na época. Trazer isso de volta, com os fatos e provas – de que Olívio protegeu o Rio Grande do Sul para os abusos de competição de isenções fiscais com a Bahia de Antônio Carlos Magalhães, não é fácil. Achar recortes de jornal, fazer uma explicação esclarecedora, mas sem perder muito tempo nisso deu um trabalho extra. Mas valeu a pena.

O mais fácil foi o dia a dia do Olívio mesmo. Desde eventos políticos até ele andando de ônibus ou bicicleta pela cidade. O Olívio é uma pessoa incrível e cada segundo de convivência valeu muito a pena.

PT Sul – quanto tempo é o documentário? Você pretende inscrever o mesmo em concursos de cinema?

Thiago Köche – O filme está indo para o último corte hoje (dia 8 de junho). Por enquanto está com 68 minutos. É um longa-metragem não extenso, visando as redes sociais, eventos no interior e nas periferias, para fazer sessões com entradas gratuitas para realmente inteirar todos e todas no debate. O filme será lançado no dia 26 no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa do RS (uma terça-feira às 19h, entrada gratuita e distribuição de senhas à partir das 18h) e simultaneamente nas redes sociais, gratuitamente, para visualização. Com certeza inscreveremos em festivais de cinema, porém muitos festivais tem medo de ter lado, lado social, lado político, aceitar filmes que falem de política, ainda mais no momento que vivemos. Para piorar, muita gente vai ‘torcer o nariz’ por ser do PT. Mas o filme se propõe à isso também, a desmistificar a injusta áurea que botaram, com vital ajuda da grande mídia, no partido. Não fizemos um filme pra festival. Fizemos um filme para debate político. Mas não deixa de ser, modestamente, uma bela obra audiovisual. Um documentário contemplador e com o mínimo possível de interferência nas gravações e personagens, realizando um filme que apenas observa e capta da maneira mais crua possível. Porém não ignoraremos os festivais de cinema, importantes ciclos de exibição e diálogo com outros e outras cineastas.

Texto: Raquel Wunsch (MTE 12867) – www.ptsul.com.br